quinta-feira, agosto 23, 2007

»Um Segundo

(Samuel Rosa - Chico Amaral)


Não pense mais
Que você não é capaz
De cruzar estas esquinas
O mundo oscila
Realmente, eu sei
Na beirada dos teus olhos


Pode acreditar
Diabo é quando não há mais poesia
O chão não está mais fixo do que seu olhar
Hoje pra ninguém
Mas veja só
Não torne este peso maior
Sem razão
Você tem todo tempo
E mais um segundo pra se convencer


Você, rapaz
Na verdade é um a mais
Percorrendo o mesmo círculo
O mundo oscila
Realmente, eu sei
Feito fogo nos teus olhos


Pode acreditar
Diabo é quando a lágrima não cai
O chão não está mais fixo em nenhum lugar
Hoje pra ninguém

quinta-feira, agosto 02, 2007

»Na Balança


Só você sabe a medida dos seus sonhos.”

Em 2005, quando cursava meu segundo cursinho pré-vestibular, um professor de história falou essa frase em sala. Acredito que era uma das primeiras aulas e ele queria dar uma guinada na auto-estima da galera que, pelas feições, tinham passado muito tempo assistindo àquelas aulinhas. Lembro-me de não ter ficado animaaaaada, mas me senti bem melhor. Não por acaso, guardo essa frase até hoje e pensei que seria legal comentá-la.

No último sábado, um amigo meu, sabendo que faço japonês, me perguntou algo na língua. Eu fiquei lívida. Não sabia responder. Para disfarçar a saia justa, respondi qualquer coisa (rindo sem graça), e ele me olhou com cara de espanto. Depois repetiu a pergunta bem devagar e eu entendi. Respondi e saí o mais rápido possível. Pensando sobre isso, eu descobri porque fiquei tão sem graça com a situação: Eu queria poder entender no momento em que fui abordada de primeira, queria poder responder prontamente à pergunta, já que estudo a língua. Será que eu sei a medida desse sonho? Será que é grande o suficiente?

O mesmo eu estendo para outros sonhos que eu tenho e não pareço me dedicar. E então novamente me encontro preocupada demais e não faço nada. Penso que seria melhor não me preocupar, mas será que não seria melhor eu vencer essa preocupação resolvendo-a de vez?

Na segunda-feira, conversei com uma amiga minha que eu não falava há um bom tempo. Ela disse que eu não precisava me preocupar por que sou muito dedicada e conseguiria o que eu quero de qualquer forma. Fiquei feliz e respondi: “Vou me lembrar disso quando me sentir preocupada outra vez” e ela respondeu: “Não é lembrar, é só não esquecer”.

Se a preocupação volta a me perturbar, diária e incessantemente, como uma cicatriz que volta a doer todo o ano quando o problema mostra-se evidente, a minha postura precisa ser mudada! Eu preciso desafiar, preciso lançar o objetivo de ultrapassar essa barreira, senão ficarei sentindo isso queimar em mim.

Pensando nisso, acabo de descobrir que não preciso pesar ou medir de alguma forma o tamanho do meu sonho. Eu sei o tamanho que tem, eu sinto e isso basta para dar o primeiro passo.